aprendendo

O que a cobiça faz conosco.

Nesse texto, pretendo mostrar de forma rápida, e com exemplos Bíblicos, o que a cobiça faz conosco. Primeiramente, devemos nos lembrar que a cobiça é o desejo descontrolado por obter uma coisa, sendo geralmente relacionada a desejos sexuais e conquista de bens materiais (não porque ela não exista em outras áreas, mas simplesmente porque, comumente, nos esquecemos de que a cobiça em outras áreas também é pecaminosa e não damos a ela a devida consideração). Pretendo utilizar como exemplo o pecado de Acã, a derrota dos Israelitas contra a cidade de Ai, a conquista da cidade e o pecado de Eva. Tentarei, da forma mais didática possível, relacionar esses acontecimentos Bíblicos de forma não exaustiva na esperança de produzir um texto curto, porém didático e proveitoso. Comecemos então pelo pecado de Acã.

Em Js 6. 16-19, vemos Josué expressamente proibir o povo de tomar qualquer coisa da cidade, com exceção do ouro, da prata e dos utensílios de bronze e de ferro, os quais seriam entregues ao tesouro do Senhor. Entretanto, um homem chamado Acã, ao ver entre os despojos uma capa babilônica, prata e ouro, os toma para si, quebrando assim o mandamento do Senhor (Js 7. 21). Por causa desse pecado, o povo foi derrotado na batalha contra a cidade de Ai, havendo um número de 36 israelitas mortos. Quando Josué questiona o porquê da derrota, o Senhor o informa do pecado que havia acontecido, e determinou que Acã fosse morto. Por fim, ele, seus filhos, suas filhas e seus pertences foram mortos e apedrejados.

Após a morte de Acã, Deus afirma que entregará o povo de Ai nas mãos dos israelitas, e de fato isso acontece. Entretanto, algo que geralmente passa despercebido aos nossos olhos é que, diferentemente do que Deus ordenara em Jericó, agora os israelitas estavam liberados para tomar para si os despojos e o gado. Creio que quando paramos para analisar minuciosamente esses acontecimentos, podemos extrair lições valiosas para a nossa vida cristã:

1) A cobiça nos cega para a verdade e nos torna impacientes e rebeldes

Uma coisa que podemos pensar é que, quando Acã tomou para si o que não deveria, ele estava pensando em sua vida financeira, em seu bem-estar. Creio que é válido pensar assim porque ele tomou para si coisas valiosas que poderiam ser trocadas por muitos outros bens materiais. Mas por que isso é importante? Bem, devemos nos lembrar que Acã foi um dos que ouviu as bênçãos proclamadas por Moisés antes de atravessarem o rio Jordão. Acã ouviu a proclamação das bênçãos por obediência e das maldições por desobediência (Dt 28), mas o que acho importante frisar agora está em Dt 29.19: ninguém que, ouvindo as palavras desta maldição, se abençoe no seu íntimo, dizendo: Terei paz, ainda que ande na perversidade do meu coração, para acrescentar à sede a bebedice.

No caso de Acã, ele deliberadamente tomou algo proibido para o seu próprio enriquecimento, ao invés de esperar de forma obediente a bênção do Senhor. Ele preferiu conseguir uma bênção na terra através do pecado do que esperar que o Senhor trouxesse o cumprimento daquilo que Ele mesmo havia falado. Vemos que não foi por ignorância o que Acã fez, mas por cobiça.

Note que, um pouco depois, quando Deus entregou Ai nas mãos dos Israelitas, Ele permitiu que os despojos fossem tomados. Haveria riqueza e provisão no meio do povo de Deus, mas agora através da bênção celestial. Portanto, devemos tomar cuidado para que a cobiça não nos impeça de desfrutar aquilo que é bendito por Deus, e isso em todas as áreas da nossa vida. Devemos ter em mente que nada que exija que abramos mãos de nossos princípios será algo que nos fará receber da bênção do Senhor.

2) A cobiça nos faz esquecer de nossas responsabilidades para com o povo de Deus

Em Js 6. 18, Josué diz que aquele que tomasse das coisas condenadas, tornaria o arraial de Israel maldito. Pois bem, foi exatamente isso o que aconteceu. Quando Acã tomou das coisas condenadas, o arraial se tornou condenado e foi humilhado diante dos habitantes de Ai. Mas o que eu estou querendo dizer com isso? Ora, que, como parte do povo e do corpo do Senhor, temos responsabilidades uns com os outros e devemos tomar cuidado para que não venhamos ser pedra de tropeço para alguém. Nossas atitudes importam! Portanto, se dizemos que fazemos parte do pove de Deus, mas nossas atitudes o destroem, Deus terá que, logicamente, trabalhar para a preservação do povo, significando então a destruição daquilo que destroi o povo.

Tudo o que foi dito acima está relacionado a Acã porque o seu ato ocasionou a derrota e a morte de 36 israelitas. Veja o que a cobiça fez com ele: ele se esqueceu completamente da vida do povo para pensar apenas em si mesmo. Seu desejo de enriquecer fez com que pessoas morressem.Como cristão, não acredito na perda de salvação. Não estou dizendo que a atitude de alguém pode fazer com que alguém perca a salvação, mas o que estou dizendo é que atitudes cobiçosas por parte dos cristãos e principalmente por parte de líderes, pode fazer com que pessoas pequem ou passem por diversos sofrimentos, os quais, entretanto, não removem a salvação, pois seria o mesmo que dizer que aqueles 36 homens inocentes foram para o inferno, o que não é verdade. Portanto, ainda que nossas atitudes não sejam decisivas na salvação de alguém, elas podem, e muito, fazer com que outros sofrem drasticamente.

3) A conivência com o pecado é pecado

Quando lemos o juízo que Deus trouxe sobre Acã, vemos que esse juízo se estendeu para os seus filhos e suas filhas. Podemos pensar então que há uma contradição com o que nos é apresentado nas Escrituras, pois cada um morre pelo seu pecado e não pelo pecado de seus pais ou antepassados. Entretanto, precisamos entender que Acã escondeu seus pertences onde sua tenda ficava, o que nos dá a entender que sua família sabia o que ele havia feito, mas mesmo assim não o repreenderam, se tornando coniventes com a situação e se vendo como abençoados com os bens que aqueles objetos iriam lhes proporcionar. Portanto, a família de Acã pecou juntamente com ele. No Antigo Testamento, o Senhor ordenava expressamente que a nossa mão não estivesse junto com a dos desobedientes, mas que deveríamos denunciá-los (Dt 13. 6-10).No Novo Testamento, Paulo nos diz que não devemos nos associar com as obras das trevas (Ef 5. 11) e que um pouco de fermento leveda toda a massa (1Co 5.6). Portanto, o pecado deve ser denunciado ao invés de tolerado no corpo de Cristo.

4) Ver… Cobiçar… Pecar

A Bíblia de Estudo ESV cita em uma de suas notas de rodapé que esse é um padrão muito comum na Bíblia de como o pecado acontece. Isso aconteceu com Eva quando comeu do fruto da árvore do bem e do mal (Gn 3. 6) e quando Ló viu a terra de Sodoma e Gomorra (Gn 13. 10-11). Vemos diante desses acontecimento que a cobiça reduz nosso entendimento de como as coisas realmente são. Aquilo que é abominável diante de Deus se torna aceitável. Aquilo que tem boa aparência acaba se tornando bom em si mesmo. Esses são alguns efeitos da cobiça no coração. Vemos nos dois exemplos acima que, por mais que a ordem de Deus fosse não comer do fruto, Eva o desejou e comeu. Ló, sem conhecer as abominações que aconteciam em Sodoma e Gomorra, pensou que a terra era boa por conta de sua aparência. Infelizmente, o pecado surge da cobiça, e a cobiça pode surgir com um olhar.

Diante disso, devemos nos lembrar que devemos fugir da aparência do mal (1Ts 5.22) e também resistir ao diabo e ele fugirá de nós (Tg 4.7). Esses versículos parecem ser contraditórios, mas na verdade, ambos nos fazem entender como funciona a nossa luta contra o pecado. Às vezes, venceremos fugindo, não deixando à nossa vista aquilo que pode nos fazer cair, enquanto às vezes seres mais ativos em nossos ataques. Devemos, portanto, tomar cuidado com o que nossos olhos veem, pois aquilo que vemos pode se tornar o prenúncio de nossa queda.

Espero que esse texto possa ajudá-lo a compreender melhor o que é a cobiça, seus efeitos e como lutar contra ela.

Até o próximo post….

Texto por: Bruno Mota Soares

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